Cultura Caipira

 

NAVEGUE PELA HISTORIA CAIPIRA

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A chamada "cultura caipira" é fortemente caracterizada pelo bucolismo e pelo catolicismo popular decorrente das inovações do Concílio de Trento, uma religiosidade de rezadores, apoiada nos valores do compadrio, e por manifestações religiosas cujo calendário se combina com o calendário agrícola, como observou em suas importantes pesquisas Alceu Maynard Araújo, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. A mais importante manifestação da religiosidade caipira (e também da religiosidade sertaneja no Brasil) é a festa do Divino Espírito Santo, anualmente anunciada pelas casas da roça e pelos bairros rurais pelo grupo precatório da Folia do Divino.

O caipira tem um dialeto próprio ou "falar": o dialeto caipira, que preserva elementos do falar do português arcaico (como dizer "pregunta" e não "pergunta"; "breganha" e não "barganha") e, principalmente, do tupi, da língua geral paulista e do nheengatu. Os missionários do século XVI, particularmente os jesuítas, já haviam observado que os índios da costa tinham enorme dificuldade para pronunciar as consoantes dobradas das palavras portuguesas (como em "palha", "mulher", "colher", "orelha", "olhos" etc.) e as palavras terminadas em consoantes, como o infinitivo dos verbos. Organizada gramaticalmente pelo padre Anchieta, foi língua de conversação cotidiana e também língua literária, na qual foram escritos os primeiros poemas brasileiros e o primeiro teatro. A língua portuguesa era unicamente língua de repartição pública, das câmaras, da justiça e da correspondência oficial. A língua nheengatu foi proibida em 1727 pelo rei de Portugal. A imposição da língua portuguesa deu origem ao dialeto caipira, uma língua dialetal e não português errado como muitos supõem. Há obras literárias em que o dialeto caipira está fortemente presente, como em "Lereias", de Waldomiro da Silveira e nas obras de Otoniel Mota, Cornélio Pires e Amadeu Amaral, autor do fundamental "Dialeto Caipira". O dialeto caipira não é apenas uma língua, mas expressa também uma lógica e um modo de pensar e definir o mundo, de que a mais bela expressão é "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa.

Devido à dificuldade da pronúncia, a população caipira passou a falar a língua portuguesa (agora obrigatória) com sotaque nheengatu: "paia", "muié", "cuié", "oreia", "zoio", "fulô" etc., e "falá", "cantá", "pitá", "vê", "senti", "oiá", "rezá" etc.. A língua nheengatu ainda continuou sendo falada em casa pela população mestiça, não só a população pobre, mas também a elite, até pelo menos o começo do século XIX. Persiste, ainda hoje, em regiões do Mato Grosso e no Alto Rio Negro. Em São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, o nheengatu é uma das três línguas oficiais, junto com o português e o baniwa: todos os atos oficiais são obrigatoriamente publicados nessas três línguas.

Amadeu Amaral, em seu estudo "Dialeto Caipira", diz, sobre os diversos falares do Estado de São Paulo: "No próprio interior deste Estado (São Paulo), se podem distinguir, sem grande esforço, zonas de diferente matiz dialetal: o Litoral; o chamado "Norte"; o Sul e a parte confinante com o Triângulo Mineiro."

O filólogo português Cândido de Figueiredo em sua obra "Lições Práticas de Língua Portuguesa", volume 1, publicada em 1891, comparou o "falar" do caipira de São Paulo com o do morador de Lisboa:

 

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